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A Vida de Brian, ou de Paulo Nobre…

O Monty Phyton foi, talvez, o maior grupo de comédia de todos os tempos – eram sagazes, ácidos, irônicos. Seu melhor filme, assim considerado pela maioria dos fãs, é “A Vida de Brian”. Quem não viu, corra pra ver. Vá agora, depois você volta pra ler o resto. Voltou? Bem, a história se passa na Judéia dominada pelos romanos, na época em que Jesus andava por lá. Na cena abaixo, um grupo revolucionário planeja um atentado terrorista contra os dominadores romanos. A ideia é seqüestrar a esposa de Pôncio Pilatos e exigir com isso que os romanos se retirem do País. Transcrevo, abaixo, um trecho sensacional do diálogo em que o líder dos revolucionários explica aos seus companheiros por que os romanos têm de ser expulsos:

— Já nos sangraram, os bastardos. Já nos tomaram tudo o que tínhamos. E não só de nós. Dos nossos pais e dos pais dos nossos pais.

— E dos pais dos pais dos nossos pais.

— Sim…

— E dos pais dos pais dos pais dos pais…

— Certo, Stam. Não precisa insistir. E o que eles nos deram em troca?

— O aqueduto.

— Como?

— O aqueduto.

— Oh, sim, sim. Eles nos deram isso, é verdade.

— E o saneamento.

— Ah, é, saneamento, Reg! Você lembra como a cidade era…

— Certo. Eu concedo que o aqueduto e o saneamento são duas coisas que os romanos fizeram.

— E as estradas.

— Bem, e obviamente as estradas. Nem era preciso falar disso. Mas fora o saneamento, o aqueduto e as estradas…

— A irrigação.

— A medicina.

— A educação.

— A Saúde.

— Tudo bem, já chega!

— E o vinho.

— Ah, é… É verdade. Isso é algo que vai nos fazer falta se os romanos forem embora, Reg…

— Casas de banho públicas.

— E agora é seguro andar nas ruas à noite.

— Ah, sim, os romanos certamente sabem manter a ordem. Vamos reconhecer: são os únicos que poderiam fazer isso num lugar como esse.

— Tudo bem, tudo bem, mas fora o saneamento, a medicina, a educação, o vinho, a ordem pública, a irrigação, as estradas, o sistema de água e a saúde pública, o que os romanos fizeram por nós?

— Trouxeram a paz!

— O quê? Oh… Paz? Sim… Cale-se!

Putz, eu lembro do filme e rio sozinho… Bem, a pergunta é: se os romanos trouxeram tudo isso, por que os judeus queriam expulsá-los? A resposta é uma palavra, que não está no diálogo: liberdade.

Por mais que os romanos tenham trazido progresso e civilização à região, subtraíram algo muito mais precioso: a liberdade. Essa é a razão pela qual os caras se reuniam para conspirar. A ausência da liberdade deixava tudo em segundo plano.

E por que raios estou escrevendo isso aqui? Essa não é uma página sobre o Palmeiras? Sim, é. Explico.

A segunda gestão Paulo Nobre inicia. Foi um pleito duro, com um nível de discussão na campanha eleitoral muito ruim, mas, afinal de contas, foi um exercício democrático.A vitória veio com o aval de ampla maioria dos sócios que foram ao Palestra Italia exercer seu direito de voto, embora se espere que nas próximas eleições haja uma maior presença dos eleitores.

O que quero destacar neste momento é que, apesar de toda a modernização administrativa, do controle das finanças do clube, do posicionamento firme no trato com a WTorre, entre outros tantos avanços institucionais, grande parte dos votos despejados no candidato da oposição o foi em razão da rejeição ao Presidente, então candidato. E por que tal rejeição? Simples: por causa do futebol.

O futebol é a alma do Palmeiras. Não ignoro a importância de outros esportes na história do clube – o basquete, aliás, está fazendo uma bela campanha na NBB -, mas é fato que o calcio foi o que animou a colônia italiana a fundar o Palestra Italia, e é a maior razão de orgulho de todos os palmeirenses. O Palmeiras não existe sem o futebol. O Palmeiras é um gigante neste esporte, e assim deve permanecer.

A rejeição a Paulo Nobre, então, apesar dos aquedutos, medicina, irrigação etc., tem este principal fundamento: a gestão do futebol foi muito ruim. Ainda que ponderando as dificuldades enfrentadas e alguns aspectos positivos (já falei disso diversas vezes, tanto aqui no site quanto no twitter @Japparec), não há como negar que o saldo final deste trabalho foi muito ruim – o Santos nos salvou da segunda divisão, basta dizer isso. O que se espera neste segundo mandato de Paulo Nobre, portanto, é que devolva à nação palmeirense seu mais precioso bem. Não que as conquistas do primeiro mandato sejam poucas, ou desimportantes: é que o futebol é nosso coração. A Confraria Palestrina apoiou a reeleição tendo por premissa este compromisso, auxiliará no que puder a executar esta tarefa e criticará se entender praticados novos erros.

Pelo Palmeiras, sempre.

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  • Sandro Juberto

    Ótimo texto José!

    • Zé Antonio

      Quanta honra pela visita! Valeu, meu caro. E vamos em frente, que ano que vem as coisas vão melhorar.

  • Manoel Evandro Rodrigues

    Zé, mesmo um tanto atrasado quero parabenizá-lo pelo texto e a relação que colocou no início da narrativa. Perfeita relação!