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Coluna do Heron – Brincando com a inteligência do associado

Muito se tem falado sobre o fato do Palmeiras estar fazendo captação de recursos financeiros utilizando-se para isto das empresas do presidente Paulo Nobre e que, esses empréstimos bateram a casa dos R$75 Milhões em 31 de dezembro de 2013.

Essa estratégia, tem sido adotada pela gestão atual, por um motivo relativamente simples, qual seja: ninguém no mercado financeiro está disposto, ou melhor, tem coragem de emprestar dinheiro ao clube.

Agora, cabe a pergunta: porque as instituições financeiras não emprestam dinheiro ao Palmeiras? Vamos aos fatos, ou aos números:

- O quadro abaixo, mostra os índices de liquidez corrente do Palmeiras nos últimos três anos que antecederam a gestão atual:

DESCRIÇÃO

2012

2011

2010

Ativo Circulante – R$ MIL

                106.093

         105.495

           77.040

Passivo Circulante – R$ Mil

                322.559

         210.195

         184.701

Indice de Liquidez Corrente

0,33

0,50

0,41

 

Alguns conceitos:

- Ativo Circulante (AC): Compreende os recursos controlados pela entidade e dos quais se esperam benefícios econômicos/financeiros nos próximos doze meses

- Passivo Circulante (PC): Compreende exigibilidade e obrigações a serem atendidas/cumpridas/pagas nos próximos doze meses.

Vejam, que o Passivo Circulante no Palmeiras é sempre bem maior que o Ativo Circulante. O índice de liquidez corrente que apresentamos no quadro acima é calculado apenas dividindo o AC pelo PC (AC/PC). Somente isto.

E o que quer dizer este índice? O que ele nos indica? Vamos então à sua interpretação: quando dividimos o AC pelo PC em 2010 e encontramos um índice de 0,41 – isto quer dizer que, para cada R$1,00 que o Palmeiras tinha no PC ele tinha apenas R$0,41 no AC. Simplificando um pouco mais, seria como se para cada R$0,41 que você tivesse no seu bolso meu caro leitor, você devesse R$1,00.

Em 2011 o índice de liquidez corrente do clube era de 0,50 e em 2012 era de 0,33 ou seja, em 2012, ainda fazendo analogia ao seu bolso, seria como se para cada R$0,33 que você tivesse, você devesse R$1,00 para os próximos doze meses.

Aliado a este cenário de total falta de liquidez de curto prazo do clube nos últimos anos, e como agravante à situação financeira do Palmeiras, temos o fato de que 75% das receitas do ano de 2013 foram antecipadas e gastas pelas gestões passadas.

Seria como se você leitor, em 31 de dezembro de 2012, devesse três vezes mais do que tem de recursos imediatos, e como se isto não bastasse, tivesse adiantado e gasto 75% dos seus salários de 2013. Este foi, exatamente o cenário encontrado pela atual gestão do clube.

Assim, eu te pergunto caro leitor: fosse você um banqueiro, você autorizaria a liberação de empréstimos ao Palmeiras nestas circunstâncias?

Eis aqui então, a razão pela qual o atual presidente, utilizando-se do prestígio de que goza no mercado financeiro e empresarial, adotou a estratégia de captar recursos financeiros através de suas empresas e repassá-los ao Palmeiras a custos bem menores se comparados com os custos que seriam cobrados do Palmeiras caso este, conseguisse captá-los diretamente. Isto se conseguisse, deixando claro.

De outro lado, temos alguns grupos políticos no Palmeiras, que se autodenominam “Oposição” e que criticam a forma encontrada de fazer com que o Palmeiras tenha recursos para montar um elenco à altura do que se espera de um clube de sua magnitude, no ano do seu centenário, de honrar com seus compromissos de folha de pagamento de funcionários, compromissos tributários, entre outros.

Estes grupos porém, desviam o foco da discussão. Por que não canalizam todas as suas energias em investigar o que levou o Palmeiras a esta deplorável situação financeira? Porque não investigam quem antecipou tanta receita futura do Palmeiras e o que foi feito desse dinheiro? Será que esta pergunta não lhes ocorre? Onde esses senhores estavam naqueles dias? Onde estavam quando um contrato mal feito com o jogador Wesley resulta agora no bloqueio de créditos junto à Rede Globo, que por sua vez bloqueia o FIDC e que podem estar ainda obstruindo o fechamento de contrato de patrocínio máster porque o clube precisa desses recursos para quitar débitos tributários que permitiriam a obtenção de Certidão Negativa de Débitos junto aos órgãos federais, imprescindível para o patrocínio em fase de viabilização. Quantas bombas relógio ainda esta gestão terá que desarmar? Parte representativa destes que hoje se dizem oposição já eram conselheiros e até ocuparam alguns cargos diretivos naquela oportunidade. Porque não investigaram ou não dedicam agora suas energias a buscar as respostas que a Sociedade Palestrina tanto deseja para essas questões? E em especial ao período de 1993 para cá. Há muitas questões para serem respondidas desde então.

Ao contrário, partem para uma crítica mais cômoda e conveniente aos seus interesses. Fazendo ainda uma política menor, alegam que a gestão atual quer elitizar o clube com os aumentos de mensalidades, quando, um mínimo de bom senso e responsabilidade de cada um de nós, nos faz ver que era imprescindível os reajustes aplicados. Os congelamentos das mensalidades no passado ou reajuste bem abaixo da inflação, resultaram em um clube envelhecido, desvalorizado e com uma dívida bancária escandalosa. Deram tapinhas nas costas dos associados, iludindo-os, deixando para todos a herança que está nos bancos à nossa espera para liquidação. A verdade vem à tona cedo ou tarde, e com juros, é bom que se diga.

Assim, meu caro leitor e associado do Palmeiras, entendo que, discursos como estes que temos assistido, demonstram a total falta de respeito com o Palmeiras, com você, e subjugação da inteligência e do bom senso de todos os que verdadeiramente amam o Palmeiras.

Fique atento a estes argumentos que desviam o foco da discussão. Temos inúmeras perguntas para serem respondidas. Entendo que estes grupos deviam se juntar a nós na busca das respostas para elas.

 

Saudações

Confraria Palestrina

Link permanente para este artigo: http://confrariapalestrina.com.br/coluna-do-heron-brincando-com-a-inteligencia-do-associado/

  • http://www.somospalmeiras.com.br/ Diego Cunha

    Excelente texto Heron.
    Espero q não tenha mais nenhuma bomba relógio, q possam trabalhar da melhor forma para o Palmeiras.
    Duvido os ex diretores aparecerem para sanar a dúvida referente às outras gestões, alguns já estão até com medo da sindicancia.

  • Custódio dias

    EXCELENTE!!!!!

  • Hugo

    por estes e outros motivos hoje sou totalmente contra a postura que a UVB vem tendo.
    Uma oposição predatória que visa somente o interesse deles e não do Palmeiras.
    Infelizmente esta cultura politica do brasileiro só prejudica, e no Palmeiras pior ainda.
    Bola para frente.

  • Manoel Rodrigues

    Parabéns Heron!
    Novamente um texto bastante esclarecedor.
    Como já disse, muitos que estão hoje com pedras nas mãos participaram, ou no mínimo fizeram vistas grossas às administrações anteriores.
    Estão pisando na ponta do tapete para que não chegue alguém e levante e mostre a sujeira que foi jogada para baixo do mesmo.
    Que a Confraria Palestrina continue insistindo com estes esclarecimentos para os associados.
    Aliás temos que fazer chegar à eles estas informações.

  • mario luiz salvoni

    Heron, boa noite, sem querer polemizar mas seu artigo acima é de uma superficialidade assustadora. Você não pode simplesmente mostrar índices de liquidez como se por si só eles indicassem alguma coisa. Qualquer índice de balanço analisado individualmente não significa absolutamente nada (falo isso porque à mais de 20 anos sou gestor de risco e analisar balanços é o meu ofício), sendo ainda que para dizer se o índice é bom ou ruim você precisa comparar o índice da empresa (no caso a SEP) com a média do mercado em que ela atua, e principalmente com os índices das melhores empresas ranqueadas neste mesmo mercado, e você não fez isso.

    Um índice de liquidez menor do 1 pode ou não ser ruim, depende principalmente do setor que se está analisando. Temos ainda que tanto no ativo circulante como no passivo circulante existem contas de naturezas diversas, por exemplo você pode ter um ativo circulante maior do que o passivo circulante e mesmo assim a empresa pode estar com sérios problemas de caixa pois o CCL maior do que 1 pode ser apenas em função de contas que não representam caixa ou disponibilidades para a empresa, como por exemplo despesas pagas antecipadamente (acredite tem empresas que antecipam pagamentos), que embora “engordem” o ativo circulante não representam disponibilidade de caixa

    • admin

      Prezado Mario,
      Compreendo perfeitamente sua abordagem. Sabemos da complexidade e responsabilidade do trabalho de um analista financeiro. Longe de nós, fazer parecer este, um trabalho simples.
      Entretanto, não se trata de superficialidade como pode parecer para aqueles versados no tema.
      É claro que tomamos o cuidado de analisar os demais índices do balanço do Palmeiras e as conclusões não são nada alvissareiras.
      Como tínhamos uma limitação real de espaço para publicar uma análise completa como também transformá-la numa linguagem simples para os não versados no tema (este um grande problema, você sabe),
      optamos pelo Índice de Liquidez Corrente, tomando o devido cuidado com o seu conteúdo e natureza. Mas, enfatizo, os índices do Palmeiras são péssimos e tínhamos que fazer uma opção.
      Pretendemos em breve, iniciar um trabalho de análise completa do Balanço Patrimonial do Palmeiras de 2008 para cá, transformá-la numa linguagem bem simples para os não versados e publicar o trabalho.
      Seria um prazer poder contar com sua colaboração. Fique à vontade para nos procurar. Será muito bem vindo, tenha certeza disto.
      Cordialmente,
      Heron de Abreu

    • admin

      Prezado Mario,
      Compreendo perfeitamente sua abordagem. Sabemos da complexidade e responsabilidade do trabalho de um analista financeiro. Longe de nós, fazer parecer este, um trabalho simples.
      Entretanto, não se trata de superficialidade como pode parecer para aqueles versados no tema.
      É claro que tomamos o cuidado de analisar os demais índices do balanço do Palmeiras e as conclusões não são nada alvissareiras.
      Como tínhamos uma limitação real de espaço para publicar uma análise completa como também transformá-la numa linguagem simples para os não versados no tema (este um grande problema, você sabe),
      optamos pelo Índice de Liquidez Corrente, tomando o devido cuidado com o seu conteúdo e natureza. Mas, enfatizo, os índices do Palmeiras são péssimos e tínhamos que fazer uma opção.
      Pretendemos em breve, iniciar um trabalho de análise completa do Balanço Patrimonial do Palmeiras de 2008 para cá, transformá-la numa linguagem bem simples para os não versados e publicar o trabalho.
      Seria um prazer poder contar com sua colaboração. Fique à vontade para nos procurar. Será muito bem vindo, tenha certeza disto.
      Cordialmente,
      Heron de Abreu

    • Confraria Palestrina

      Prezado Mario,

      Compreendo perfeitamente sua abordagem. Sabemos da complexidade e
      responsabilidade do trabalho de um analista financeiro. Longe de nós,
      fazer parecer este, um trabalho simples.

      Entretanto, não se trata de superficialidade como pode parecer para aqueles versados no tema.

      É claro que tomamos o cuidado de analisar os demais índices do balanço do Palmeiras e as conclusões não são nada alvissareiras.

      Como tínhamos uma limitação real de espaço para publicar uma análise
      completa como também transformá-la numa linguagem simples para os não
      versados no tema (este um grande problema, você sabe),

      optamos pelo Índice de Liquidez Corrente, tomando o devido cuidado com o
      seu conteúdo e natureza. Mas, enfatizo, os índices do Palmeiras são
      péssimos e tínhamos que fazer uma opção.

      Pretendemos em breve, iniciar um trabalho de análise completa do Balanço
      Patrimonial do Palmeiras de 2008 para cá, transformá-la numa linguagem
      bem simples para os não versados e publicar o trabalho.

      Seria um prazer poder contar com sua colaboração. Fique à vontade para nos procurar. Será muito bem vindo, tenha certeza disto.

      Cordialmente,

      Heron de Abreu

      • mario luiz salvoni

        Heron, bom dia, grato pelo retorno. A minha preocupação é que o balanço de um clube tem que ser olhado de maneira diferente de um balanço de uma empresa, até porque no balanço do Palmeiras o parecer da auditoria externa foi inconclusivo, e é isso que me preocupa pois não se trata apenas de criticar ou defender a atual gestão (que na minha opinião vem fazendo um bom trabalho). Trata-se de situar o Palmeiras entre os demais clubes brasileiros, insisto que se não se fizer uma análise comparativa do nosso clube com os demais qualquer parecer emitido não terá sentido.

  • Claudio Longo

    Sua avaliação é correta, inclusive demonstrando que há “oposição´´, sem causa e coragem de propor mudanças diretas estatutárias, impondo e estabelecendo critérios para que não mais , sejam repetidos os erros, que são notáveis, a cada gestão que mantem uma corte de rufiões, na politica alviverde!

  • Bruno

    Otimo texto, Heron!