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Coluna do Zé Antonio – As sindicâncias e o futuro do Palmeiras

Um dos assuntos que atualmente agitam a política do clube são as sindicâncias, promovidas pelo Conselho Deliberativo, para apurar eventuais irregularidades da Diretoria Executiva da SEP nos anos de 2010 e 2012.

Sobre o tema, inicialmente devemos lembrar que a sindicância é procedimento instaurado para apurar fatos, e não para punir agentes em razão de condutas por si praticadas. Eventuais punições, caso comprovadas as ações ou omissões consideradas irregulares, serão aplicadas pelo órgão competente tendo em vista a instrução realizada durante o procedimento apuratório. A informação não é de pouca importância: temos uma comissão de conselheiros incumbida de amealhar informações e instruir um procedimento formalmente instaurado, sendo certo que o resultado final de seu trabalho será avaliado por órgão distinto (a integralidade do Conselho Deliberativo), que promoverá as providências estatutariamente previstas tendo em vista o efetivamente apurado.

Esta pequena introdução serve pra explicar o título deste pequeno artigo: é preciso investigar e apurar, e não pela possibilidade de ao final punir eventuais faltosos – é preciso que a verdade venha à tona para que nós, palmeirenses, possamos finalmente virar uma página de nossa história, e para que seja resgatada e preservada a dignidade do cargo de Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras e do próprio clube.

Posso explicar melhor. Nos últimos anos, o Palmeiras entrou em um crescente processo de degeneração de sua situação financeira. Tal condição gerou desde prosaica falta de manutenção das piscinas do clube social até o gradativo enfraquecimento das equipes esportivas, especialmente no futebol. O Palmeiras perdeu competitividade no mercado da bola, e se sujeitou, em diversas situações, a perder a condição de incontestável objetivo de qualquer jogador para ser uma mera alternativa a ser considerada. Tal realidade veio acompanhada de notícias cada vez mais estarrecedoras, publicadas na grande mídia – denunciaram-se desvios de dinheiro, apadrinhamento, pagamento de comissões e outras tantas vergonhas que machucaram o orgulho do palmeirense.

Somou-se, a este cenário, o descontrole administrativo. A decisão de rejeição das contas dos ex-Presidentes do Palmeiras, é importante destacar, tem origem em questões de ordem formal, que não foram suficientemente explicadas pelos mandatários do clube no momento adequado. Por tal razão, justamente para esclarecer fatos não devidamente esclarecidos quando deveriam, instalam-se as comissões de sindicância no Conselho Deliberativo – cumpre-se uma obrigação do órgão de fiscalização e representação do sócio de apurar e, caso comprovada a falta, providenciar a punição daqueles que atentaram contra o clube.

Tal apuração é realizada sob absoluta prevalência do princípio do contraditório. Isso quer dizer, em bom português, o seguinte: pra cada alegação de irregularidade, os sindicados terão a possibilidade de ofertar razões, documentos, informações que descaracterizem o ato como irregular ou justifiquem a conduta.

A sindicância, assim, será a oportunidades de conselheiros vitalícios do Palmeiras que já ocuparam o tão importante cargo de Presidente do clube afastarem, de uma vez por todas, dúvidas e questões que pairam sobre o exercício de seus mandatos. Mais que a chance de se verem finalmente livres de quaisquer insinuações ou imputações maliciosas realizadas pelos adversários políticos de ocasião, será a oportunidade destes agentes resgatarem de vez a dignidade da função por si exercida. Tenho absoluta certeza que esta é uma meta a ser perseguida por qualquer Presidente do Palmeiras: ter atestada, sem sombra de dúvida, a idoneidade de sua gestão à frente do clube.

Esta oportunidade não é boa somente para os ex-Presidentes investigados. Ela é excelente para o próprio Palmeiras, que poderá finalmente encerrar muitos debates e situações que atrasam o seu avanço institucional. Para o clube, assim, também não há solução ruim: caso comprovadas quaisquer irregularidades sindicadas, as punições aos agentes responsáveis mostrarão que vigem tempos de seriedade e compromisso com o futuro, no qual atitudes irresponsáveis ou dolosamente praticadas contra os interesses do Palmeiras não mais serão toleradas. Caso, ao final, constate-se que tudo é explicável ou justificável, o clube terá feito as pazes com seu passado recente, fechando feridas e encerrando ciclos.

Não há que se temer ou combater sindicâncias. É preciso temer quando não se investiga, quando não há desejo de entender o que saiu errado. O Palmeiras precisa avançar, e voltar a trilhar seu caminho de glórias – para tanto, o compromisso ético que de seus interesses estão acima de qualquer interesse individual, seja de qual pessoa for, deve ser, mais uma vez, reafirmado. Pela nossa história, e pelo nosso futuro.

 

Por: Zé Antonio

 

 

 

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