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Coluna do Zé Antonio – O Palmeiras, o Olaria e a Serie B

O Palmeiras entra em campo contra o Sport no Estádio do Pacaembu, pela vigésima quarta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de 2013, chegando aos 55 pontos no campeonato. A audiência é de mais de 21.000 pessoas mesmo com o jogo passando em TV aberta, num belo sábado de sol. O jogo termina 2 x 1, com alguns sustos mas com a certeza que o acesso e o título virão rapidamente.

Um bom público e a torcida de bem com o time, goleada, liderança, jogadores sendo convocados pra seleções do continente inteiro, ótimas estatísticas em quase todos os quesitos de avaliação. Este é o Palmeiras de 2013. Estamos, então, num grande momento do clube? A resposta, como qualquer torcedor de qualquer time de futebol do Brasil sabe, é negativa.

A Série B não é o lugar do Palmeiras. Sua tradição, seu investimento – o peso de sua camisa, enfim – fazem com que o clube dispute o campeonato em verdadeira contagem regressiva: cada palmeirense conta os dias para sair deste inferno que é a segunda divisão. As vitórias tornam-se obrigatórias, e as derrotas causam vergonha e constrangimento. A Série B é algo a ser pago, o resultado de uma série de erros e más decisões – é, em síntese, uma punição para a incompetente gestão de um dos maiores clubes de futebol do planeta.

Na minha opinião, não dá nem mesmo usar a amplíssima vantagem do Palmeiras sobre o quinto colocado no campeonato (no momento em que escrevo são dezessete pontos) como motivo de comemoração. Pra explicar isso, vou usar uma metáfora (ah, os poetas), buscando em minha experiência de vida as razões desta minha crença. Prontos? Lá vai, então.

Quando era minininho do interior, lá em Avaré (na verdade não tão menino, e sim um adolescente desajeitado), jogava num time chamado Olaria – o nome do time não era por causa de qualquer bairro, era porque o dono do time tinha uma olaria, mesmo. A gente subia na carroceria do caminhão e jogava nas fazendas da região, em tempos em que isso não dava prisão perpétua pro motorista. Enfim, o que eu quero dizer é que enquanto a gente jogava com os sitiantes, tínhamos uma sensacional sequencia de vitórias, em jogos épicos: em cada partida tínhamos que driblar o adversário, o buraco, o cupinzeiro, e o juiz sempre era “deles” (a gente também não tinha bons bastidores!). Aliás, o gol mais bonito da minha carreira futebolística foi injustamente anulado por um juiz “deles”, que tava bêbado de pinga as 11 da manhã e que depois do final do jogo (e no meio da briga que rolou) veio com um enxadão pra cima de mim gritando “reclama agora!!!”. Putz, tô divagando… Vou voltar pro exemplo.

Como ganhávamos tudo nos campos das fazendas da região, o dono do Olaria resolver inscrever nosso escrete no campeonato municipal. Logo no primeiro jogo levamos 6 x 0. No segundo, numa performance muuuito melhor, 4 x0. O terceiro perdemos por 2 x 0, porque esse era o placar do W.O. Sim, demos cano, e o Olaria nunca mais se recuperou, ali acabando seus tempos de glória…

Lógico que não estou comparando o simpático time que jogava nas fazendas de Avaré com o Gigante Campeão do Século que é o nosso Palmeiras. Não se trata disso. O que quero destacar é que naqueles campinhos do sítio (alguns bem melhores que os campos em que somos obrigados a jogar na Série B) a gente mandava muito bem simplesmente porque os adversários eram muito, muito piores. Quando o jogo foi pra valer, o choque de realidade redimensionou o Olaria. A Série B, e é isso que quero dizer, não pode servir de parâmetro pra dizer se o time seria competitivo ou não no campeonato da Série A – temos, disparado, e como era nossa obrigação, o melhor time da segunda divisão, mas ano que vem, teremos que investir mais.

O Palmeiras nunca foi o Olaria. Mesmo em suas origens, como Palestra Itália, não disputava a várzea: seu time fazia jogos com outros clubes tradicionais do futebol, e seu crescimento se deu entre os grandes, moldando assim seu DNA de vencedor. Nosso centenário está aí, e, felizmente, novamente mediremos forças com a elite do futebol nacional. A Diretoria trabalha intensamente pra colocar o Palmeiras em condições de disputar um campeonato digno no novo Palestra Itália, o Allianz Parque, e aproveita este ano de Série B pra tentar colocar a casa minimamente em ordem, e pra isso conta com nosso apoio. O que importa, por ora, é nunca esquecer que somos gigantes, e isso não é por conta do passeio na Série B: somos gigantes porque somos o time mais vencedor da história do Brasil, e este é o destino que devemos – e vamos – retomar.

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