«

»

Coluna do Zé Antonio – Reunião do CD 02/12 – Novos Vitalicios

Meu relatório da reunião do CD de hoje vai ser um pouco diferente. Sim, houve outros temas na pauta, mas o mais importante foi a eleição de seis novos conselheiros vitalícios no Conselho Deliberativo do Palmeiras. Vou dar, aqui, minhas impressões sobre a já considerada mais terrível sessão do Conselho nos últimos anos.

Inicialmente, dois avisos: não quero que o texto pareça o choro de um perdedor. Todos sabem a posição da Confraria Palestrina sobre os vitalícios, e que votamos em branco pra tentar barrar a sua entrada. Sob este ponto, quero deixar claro, logo de cara, que entrei no CD este ano perfeitamente ciente do sistema de poder lá dentro, no qual os cardeais ditam o andamento e os rumos dos trabalhos, e uma minoria de malucos esperneia e tenta se fazer ouvir no meio da massa de conselheiros. Não sou inexperiente politicamente, nem um sujeito absolutamente desligado da realidade que me cerca. Considero o resultado desta votação, assim, um resultado absolutamente possível,

e nada surpreendente – apesar de não surpreender, contudo, faz pensar e gera indignação. Também este texto não manifesta qualquer ataque aos conselheiros ontem eleitos – não sei de nada que os desabone, e todos tem histórico de trabalhar pelo clube, e por tal razão deixo até mesmo de declinar nomes e votações (isso tá internet, pra quem quiser pesquisar). O que traz esta pequena coluna é, simplesmente, a absoluta discordância de que qualquer pessoa possa ser investida num cargo de representação para toda a vida, independentemente da vontade quem representa. Certo? Então vamos em frente.

Até os tapumes que hoje caracterizam nosso clube sabem que as relações de poder dentro do Conselho Deliberativo do Palmeiras se baseiam numa tentativa incessante de manutenção do status quo. Neste sentido, as relações de compadrio e camaradagem constantemente parecem se sobrepor a uma análise crítica sobre as necessidades e prioridades do próprio clube. Comprova esta afirmação, não fossem os inúmeros exemplos que diariamente nos são ofertados, o simples fato de diversos conselheiros ontem falarem abertamente que eram “contra os vitalícios” mas, ainda assim, votarem em candidatos que se apresentaram para preencher exatamente estes cargos. Não há contradição: a lealdade ao clube, no caso, simplesmente cede espaço à lealdade ao colega – na cabeça de muitos, por incrível que pareça, não há qualquer contradição sob este aspecto.

Houve, e isso é inegável, uma ampla movimentação de todos os grupos políticos tradicionais do clube para a eleição destes novos vitalícios – exceção feita à Confraria Palestrina e poucos outros grupos políticos, raros foram os posicionamentos abertamente contrários à sua eleição. De uma forma ou de outra, os medalhões abençoaram os candidatos que pretendiam eleger, e preencheram exatamente o número de cadeiras que diziam que iriam ser preenchidas – diga-se: antes mesmo de abrir-se a votação, o número de seis eleitos já corria entre os conselheiros. O que mais me incomoda é que isso tenha se dado na que talvez seja a última eleição para vitalícios nos moldes hoje previstos no Estatuto. Isso, em minha opinião – e sem dúvida a ela tenho direito – nada mais é que um rasgado oportunismo político: antes do momento dos sócios, em Assembleia Geral, deliberarem sobre extirpar ou diminuir o número de conselheiros vitalícios, criou-se uma situação jurídica em que se tenta consolidar um suposto direito adquirido destes novos eleitos. Obviamente que extinguir uma cadeira de vitalício desocupada será muito menos difícil que retirar de lá alguém devidamente sentado e acomodado, esperando a vida passar na condição de conselheiro do Palmeiras, e, difícil negar, este pensamento político norteou todo o arranjo político para a votação de ontem.

Ao final da apuração, enquanto conversava com alguns conselheiros da ala mais progressista, veio um senhor, dando saltinhos, e dizendo que “os velhos mais uma vez tinham ganho”. Babaquices à parte, não sei quem ganhou. Certamente o Palmeiras não foi, por conta da votação de ontem ter tornado ainda mais difícil o processo de reforma estatutária, e significar um grande retrocesso nos avanços democráticos que se insinuavam no clube. Também não ganhou o CD, que mais uma vez agrava a distorção da representação dos sócios, facilitando a estagnação do pensamento político e a manutenção da atual composição de forças dentro do clube – composição esta que nos levou duas vezes à segunda divisão em dez anos, e levou o clube à bancarrota, dependendo de empréstimos de seu Presidente para pagar do faxineiro ao astro do futebol. Também não ganhou, a bem dizer, a ala mais conservadora e patrimonialista da política do clube, uma vez que dois terços das cadeiras em disputa permaneceu desocupada. Parece que, à exceção dos orgulhosos eleitos de ontem e de seus garbosos padrinhos, ninguém ganhou, e todos perderam. Ainda vai demorar um tempo pra eu esquecer a cena dos conselheiros nas cabines de votação copiando suas colinhas, obedientemente. Aliás, talvez eu nem esqueça – é preciso ficar, sempre, alerta.

Link permanente para este artigo: http://confrariapalestrina.com.br/coluna-do-ze-antonio-reuniao-do-cd-0212-novos-vitalicios/