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Coluna do Zé Antonio – Tudo começou com um rolamento

Por motivos alheios à minha vontade, executei com maestria esta tradicional manobra do vôlei na pirambeira com que existe ali perto do Pão de Açúcar vizinho do estádio do Pacaembu (aquela que tem o escadão). Não que a maestria tenha sido contra minha vontade (sou brasileiro, não desisto nunca, e tal): o rolamento em si é que não estava programado.

Bem, o importante é que desde meus tempos de jogos regionais do interior, em que atuava pela gloriosa equipe de Avaré, não fazia o movimento com tanta perfeição. O giro completo, finalização em pé, e corridinha pra disfarçar e preservar aquele fiapo de dignidade. Perfeito, ainda que algumas escoriações fossem visíveis.

Enquanto caminhava em direção ao bar pra encontrar os amigos da Confraria, pensei com meus botões (hoje as camisetas de futebol não tem mais botões, mas a idéia ainda vale): “Se eu, com quatrocentos quilos a mais e vinte anos mais velho consegui fazer o rolamento perfeito, não é possível que o Palmeiras não ganhe hoje…”.

Já em companhia dos amigos, com cerveja gelada e boa conversa, percebi que a torcida comparecia em massa ao Pacaembu. Adoro ver jogo neste estádio, que é digno da glória e tradição do Palmeiras, e o palmeirense foi ao jogo com o Sport pra lotar a sua casa – o Pacaembu não pertence àquele outro time, é da cidade de São Paulo, é de cada paulistano. A questão é, sempre, ocupar o espaço. E foi o que fizemos. Pensei: “Com o estádio lotado, não é possível que o Palmeiras não ganhe hoje…”.

Casa cheia, torcida cantando, e o jogo… aquela nhaca de sempre. A energia da arquibancada fazia os jogadores correrem, mas como diria minha chefe, que já copiou alguém, “Não há bom vento pra nau que não tem rumo”! A bola na trave de Obina e a grande defesa de Bruno no final do primeiro tempo fizeram passar aquele filme na minha cabeça (todo palmeirense sabe do que falo), mas me recusei a acreditar que haveria mais do mesmo. Havia muitos bons presságios pra ignorar que o jogo teria final feliz. E não deu outra.

Logo no início do segundo tempo, o chute de Correia e o frango do goleiro Magrão. Poxa, o cara é um ótimo goleiro, vem pegando muito, e ficou com as penas na mão. Loucura, berreiro, e eu já sabia: “Hoje não! Hoje não!”. Tudo isso só pra, minutos depois, o Rivaldo acertar um pombo sem asas do meio da rua. De perna direita – vale lembrar que o sujeito é canhoto, e a perna esquerda dele (que ele normalmente usa pra chutar) não serve nem pra subir em ônibus. A direita normalmente só serve pra decoração, mas ontem, de alguma forma, impulsionou uma bola de futebol pelo ar seco de São Paulo por trezentos quilômetros, e marcou o gol de empate do Sport.

Este seria o momento do desespero. Mas a torcida cantou, vibrou, e minutos depois, com assistência de Luan (!), Tiago empatou. O mesmo Tiago deu um passe milimétrico pro Obina marcar o seu, e a bola na trave do Mago acabou nem fazendo falta. O Pacaembu, verde e feliz, era emocionante de se ver.

O rolamento perfeito não poderia estar errado. A torcida lotando o Pacaembu não poderia estar errada. A sorte a favor, a rapidez na resposta ao revés… tudo isso não poderia significar outra coisa senão a grande vitória de ontem. O caminho ainda é longo, e é muito, muito duro. Mas o Palmeiras é um gigante, assim como é gigante o amor do palmeirense pelo seu time. Vamos conseguir fazer um segundo turno digno, e o Palmeiras vai, mais uma vez, como sempre, calar seus críticos. Vamos em frente, Palmeiras. Scoppia che la vittoria è nostra!

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