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Manifesto: a rua Palestra Italia é do povo!”

Neste último domingo, a torcida palmeirense mais uma vez se viu surpreendida por um injustificado e desproporcional ato de força praticado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, supostamente sob a orientação do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Ao se dirigir para mais um jogo do Palmeiras no Allianz Parque, no espaço histórico do antigo Palestra Italia, o palmeirense de viu impedido de circular e permanecer nas ruas Palestra Itália (antiga Turiaçu), Caraíbas e Padre Antônio Tomás. Somente era permitido o acesso a estes logradouros públicos àqueles torcedores que portassem ingressos para o jogo de futebol, sendo impedidos em seu direito de ir e vir toda e qualquer pessoa que não ostentasse esta condição. A interdição das ruas se deu sem que fosse previamente comunicada a medida à população e, mais que isso, foi realizada sob o argumento de controle do fluxo de ambulantes irregulares e cambistas às imediações do estádio. Sob a justificativa de impedir atos ilícitos, a Polícia Militar do Estado de São Paulo cerceou um direito fundamental de milhares de cidadãos. Sob o argumento de tratar uma doença, tenta matar o doente.  

É preciso esclarecer que o direito de reunião é elemento básico num Estado Democrático de Direito. É preceito fundamental, diretamente ligado às liberdades democráticas, conquista obtida à custa de muito sacrifício pelas gerações que nos antecederam. Reunir-se é um direito sagrado, e seu sacrifício é ainda mais sintomático na esquina histórica da Rua Palestra Itália com a Rua Caraíbas. Neste local, gerações de palmeirenses se encontraram para cultivar sua paixão, em um ambiente em que se destaca o único grande estádio de futebol que de fato foi abraçado pela cidade – a Vila Pompeia nasceu ao lado do Palestra Italia, Perdizes existe por causa deste estádio.

Não se trata, aqui, de defender o comércio ambulante ou de ser tolerante com cambistas. O que é importante é repudiar, da forma mais clara possível, a atitude do órgão responsável pela segurança pública que, sob o argumento de fazer seu trabalho, cerceia direitos básicos da população. Isso é inadmissível, e se de fato é dever da Polícia Militar combater estes problemas, é absolutamente impossível que o faça vulnerando um dos mais importantes pilares do regime democrático. Poucas e excepcionalíssimas situações permitem isso, e a verdadeira festa popular que ocorre nos dias de jogos do Palmeiras certamente não é uma delas.

É em função do povo que existe o Estado. Não é possível, jamais, perder este valor de vista. Assim, é imprescindível que a Polícia Militar e Ministério Público cumpram seu papel sem diminuir as liberdades que juraram defender. Que reprimam tudo o que for ilegal, que protejam os cidadãos, mas que deixem as pessoas ocuparem as ruas, porque as ruas são das pessoasAjam de acordo com sua missão, e deixem o Palestra Italia viver em paz.

Assinam os seguintes integrantes da nação palmeirense:

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  • luseira

    Todo apoio ao manifesto! Gostaria de ver medidas legais sendo tomadas para reverter este abuso, embora o ambiente jurídico não seja da minha seara.

  • Ivan Battesini

    Moro a dois quarteirões e se quisesse ir ao shopping não poderia então? Porque o meu caminho serua obrigatório pela rua caiowaa até a rua palestra italia

    Ridículo e descabivel, no próximo evento se for barrado vou chamar a polícia

    Não pera!!! A polícia que deveria garantir o meu direito foi quem me impediu

    Recorro a quem então???