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O Direito de exigir resultados e o Dever de ajudar a atingi-los. Em que lado da Balança devemos estar ?

Depois de uma longa e recompensadora noite na Academia de Futebol, gostaria de dar a todos um depoimento de aprendizado pessoal.
Nós, da Confraria Palestrina, nos voluntariamos em projetos que possam contribuir para o crescimento do Palmeiras. Meu projeto é contribuir para que o uso da marca Palmeiras por outras empresas e entidades tragam o máximo de recursos, ajude a crescer a base de sócio-torcedores e ampliemos o rol de produtos licenciados do Palmeiras. Em outras palavras, ajudo a remar a favor de tudo isso dentro do licenciamento.
Naquela noite, ajudei a encaminhar um projeto para aprovação do Paulo Nobre que certamente irá encher um pouco mais os cofres do Palmeiras.
O projeto em si não vem ao caso, sei que vai dar certo, o importante é que veio encaminhado por uma consultoria que trouxe a bordo o preparador físico MORACI SANT’ANNA, pessoa que conheço há muitos anos.
Quem já foi à Academia de Futebol é sabedor das longas esperas pelo precioso tempo do nosso atarefadíssimo e competente presidente.

Aqui começa o que interessa.
Ao esperar, passei duas longas horas em uma saborosa conversa com o Moraci.

Acho que aprendi mais nessas duas horas sobre futebol profissional do que em toda a minha vida.
Não falamos só sobre Palmeiras, mas sobre os casos e situações da Seleção Brasileira e todos os times europeus e brasileiros pelos quais ele passou.
Claro, quis saber sua opinião a respeito do nosso time e principalmente da pressão sobre o elenco, pois tenho a impressão que todos jogam com um nível de ansiedade altíssimo e não produzem todo o potencial que possuem.

Não entramos a fundo em análises e diagnósticos específicos do Palmeiras de hoje. Ele me contou diversos CAUSOS que corroboraram com a minha percepção inicial do elenco estar profundamente ansioso, pela pressão por resultados e que certamente jogam presos dentro de uma zona de segurança para não errarem e serem crucificados pela torcida ou pela comissão técnica.
Pensei bem sobre isso e começo a lembrar dos não poucos jogadores que não deram certo no Palmeiras e acabam jogando muito mais em outros clubes, mesmo sem serem grandes craques.
Acho que o exemplo mais recente é o do Maicon Leite, que no Palmeiras sempre foi um cego de bola e está fazendo grandes partidas pelo Sport de Recife, que está em primeiro lugar na tabela do Brasileirão da Série A.
Dá até pra fazer um comparativo com o seu clone, Dudu, que arrebentava no Grêmio e não acerta mais nada com a camisa do Palmeiras – aliás, perdemos o Paulista por conta da ansiedade e do destempero emocional dele.

Cheguei a conclusão que essa pressão e ansiedade só prejudicam o trabalho realizado e é um dos maiores obstáculos para o nosso sucesso.

Nossa torcida (todos nós) é quem está ansiosa e bota uma pilha danada para que o time jogue como o Bayern em um par de semanas. A imprensa potencializa esse nosso clima e tudo isso vai parar dentro de campo sob a forma de tensão emocional e jogadas limitadas à zona de segurança (evitando erros e, portanto, sem ousadia e criatividade).

O resultado está aí.
Temos um bom elenco, temos ótimo técnico, temos salários em dia e recursos de fazer inveja a times europeus.

Só não temos os resultados.

Naquela noite, verdadeiramente me convenci que terei que exercer a paciência.

Entendi agora o que disse o segundo Oliveira, quando informou que será necessário um pouco mais de tempo, para que os resultados sejam consistentes.
Visto a carapuça, pois sempre fui um dos maiores corneteiros. Me convenci que há mesmo muitos, muitos e muitos erros, mas botar pressão só vai piorar o que já não está muito bom.
O Futebol vencedor não se joga só com treino tático, ensaio, boa escalação e disciplina. O Futebol vencedor se joga com criatividade, intuição, improviso, entrosamento e alegria.

Mas, quem joga em time grande, como o Palmeiras, tem que se acostumar a jogar sob pressão.

Essa pressão faz parte e até faz bem, pois estimula a coragem e a vontade de vencer, mas há um limite para a pressão – após esse limite, ou o indivíduo congela, ou ele não sai da zona de segurança. Ele não vai criar, não vai ousar e não vai perceber oportunidades em campo, nas frações de segundo em que elas aparecem.
Lembremos também que não estamos na Europa e os jogadores de quem tanto exigimos não possuem e nunca possuíram em suas trajetórias de vida apoio familiar, boa formação escolar e nem ambiente social para entender o que se passa com eles. A média de idade destes jovens é de 25 anos. Salvo as honrosas exceções, esse é o material humano que dispomos naquele que, um dia, foi aclamado como o país do futebol.

Esse é o panorama sob o qual passei a refletir e a reformular meu pensamento.

Não sei como auxiliar a construir um ambiente sem ansiedade, sem tensão e fazer esses caras jogarem com espírito guerreiro, empenho, ousadia e criatividade, acho até que não tenho essa competência e nem é essa minha função, mas naquela noite aprendi o que não deve ser feito para não ajudar a piorar as coisas.

 

Como a Confraria foi criada para ajudar o Palmeiras a atingir seus resultados, percebi que além de mudar minha atitude, havia mais uma forma de contribuir com esse objetivo.
Compartilhar o conhecimento que obtive com o nosso grupo e com todos os que nos ajudam neste projeto dentro do Palmeiras.

Agradeço muito ao Moraci, que mesmo sem saber e sem o menor esforço de convencimento, me fez conhecer a fragilidade do ambiente do futebol profissional e me deu uma enorme contribuição para realinhar meu pensamento.

Também não quero iniciar nenhum movimento, ou campanha. Só quis mesmo compartilhar algo que me fez rever meus valores. Reitero que o Moraci não fez uma defesa de tese a este respeito, ele só contou ‘causos’ que aumentaram meu conhecimento sobre o assunto.

Fica aqui meu depoimento e contribuição pessoal.

Ah, antes que me esqueça. Em que lado da balança devemos estar?

Devemos estar nos dois, pois para a balança estar em equilíbrio, os pesos nos pratos devem ser iguais.

Exigir e ajudar devem ser dosados para manter o equilíbrio, o excesso ou escassez de qualquer um deles causa algum tipo de distúrbio.

Equilibrio é a chave.

Duro é saber que ser torcedor engajado e equilibrado ao mesmo tempo pode deixar marcas profundas e detectáveis no meu próximo eletrocardiograma.
Por: Herbert Greco

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