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O fim da Confraria Palestrina

Em uma agradável noite de verão, realiza-se mais uma reunião do Conselho Deliberativo do Palmeiras. A pauta única era a eleição de conselheiros vitalícios. A Confraria Palestrina foi o único grupo político do Palmeiras que se manifestou abertamente pelo voto em branco em tal eleição. O voto em branco, é sempre bom lembrar, serve para aumentar o quorum de votantes, a fim de tornar mais dificultosa a eleição dos postulantes ao cargo.

Durante a reunião do Conselho Deliberativo, os conselheiros da Confraria Palestrina ouviram, de políticos de todas as tendências e correntes, que manifestar o voto em branco era um grande erro estratégico, e que não entendíamos como funciona a política no Palmeiras. Mais que isso, o posicionamento acarretaria o fim da Confraria Palestrina como grupo político no clube.

Pois bem.

A Confraria Palestrina ainda é um grupo relativamente jovem na política palmeirense. Desde o início, contudo, nossa proposta foi a de mudar o jeito de fazer política no clube. Não é que não compreendemos o jeito como ela funciona – o caso é que entendemos que, como feita, ela não atende aos interesses do Palmeiras. Com firmes compromissos com ideais como a representação democrática, a transparência da gestão e a governança responsiva, entre outros, a Confraria Palestrina, com base exclusivamente no debate aberto e na disseminação de suas ideias, ganhou espaço em nossa associação.

A partir deste ponto, fica fácil ver que é posição evidentemente decorrente de nossos ideais a de defender que haja o menor número possível de cadeiras de conselheiros vitalícios no clube. Óbvio: cada cadeira de vitalício representa um agente político que não se submete à censura sagrada das urnas. Mais que isso: se ainda não é viável abrir-se o debate franco e aberto sobre a conveniência deste tipo de representação no Conselho Deliberativo, sem dúvida que a discussão sobre o peso dos vitalícios no CD é atual – não à toa, a proposta de reforma estatutária diminuiu a 100 (de 300) as cadeiras destinadas a conselheiros vitalícios. Bem, já falamos muito sobre isso (por exemplo, aqui http://goo.gl/VeoMj9 e aqui http://goo.gl/DC4LAC).

A Confraria Palestrina, prosseguindo, manifestou na internet (em mídias sociais, em seu web-site) e em conversas e reuniões no clube seu posicionamento. E, acreditem, foi duramente criticada por isso. Muitos, inclusive, como já dito, declararam por tal razão como politicamente morto nosso grupo.

Tendo em vista esta condição, a Confraria Palestrina vem a público esclarecer este ponto: ela pode até morrer, mas isso somente vai acontecer quando os sócios do Palmeiras deixarem de comungar dos nossos ideais. Enquanto isso não acontecer, continuaremos nossa trajetória. Nossa legitimidade não advém de acordos e compadrios, e sim do voto, das urnas. É a partir deste ponto que continuamos a acreditar que temos algo a dizer e a oferecer ao Palmeiras.

Nada é eterno, e podemos sim desaparecer. Por enquanto, contudo, não vamos a lugar algum. Contamos com a ajuda de todos para, cada vez mais, fazer com que nossa voz seja ouvida. É um trabalho duro, pesado, e a eleição de 10 vitalícios na noite de 14 de março de 2016 mostrou isso. Esta luta, por ora, é que é realmente o fim da Confraria Palestrina. Não o fim que faz tudo desaparecer, mas o fim que anima a continuar. Vamos em frente.

 

Diretoria Confraria Palestrina

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