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Presidência do CD

Car@s amig@s,

Vou fazer um textãozinho (e adaptado de thread que publiquei no Twitter) explicando sobre as eleições para presidente do conselho deliberativo (CD) do Palmeiras (SEP), que ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 11 de março. A eleição ocorrerá na sessão reunião extraordinária do CD, dia em que eu orgulhosamente tomarei posse como conselheiro.

Considero que esta eleição é muito importante para os próximos anos do Palmeiras. Explico abaixo porquê.

O presidente do CD é a pessoa que controla a pauta do que vai ou não a votação no Conselho. Mudanças de estatuto, por exemplo, só vão à votação quando o Presidente considera apropriado.

O Presidente do CD também determina como essas pautas e propostas serão discutidas. Para se ter uma ideia do tamanho do poder que isso representa, num passado próximo houve um Presidente (Sr. Ângelo Vergamini) que não queria as eleições diretas passassem. Para tanto, engavetou por longo período um pedido de mudança estatutária, que só foi levado à votação após uma ação judicial e muitos protestos (dos quais tenho orgulho de ter participado) nas redes e na rua.[1]

O caso ilustra como esse cargo tem o poder de acelerar ou brecar mudanças. Atualmente, nosso Presidente do CD é Seraphim Del Grande. Del Grande é uma das matrículas mais antigas do clube, um político tradicional das alamedas. Podemos dizer sem medo de errar que ele está fechadíssimo com a atual gestão, levando adiante suas pautas e, não raras vezes, ignorando solenemente aquelas levadas por conselheiros que não compõem a atual gestão ou que estão na oposição. Um exemplo claro dessa omissão em relação a pedidos de conselheiros que não compõem a gestão foi o silêncio do presidente do CD em relação ao pedido de expulsão do conselheiro Marco Polo Del Nero do quadro de associados do Palmeiras, caso que nos rende, até hoje, polêmicas na mídia e riscos para o desempenho do nosso time.[2]

Na sua gestão, Seraphim capitaneou a mudança de estatuto que encurtará o caminho da patrocinadora-conselheira Leila Pereira até à presidência da SEP. A mudança também deu a Galiotte (que concorreria meses depois) mais um ano na presidência. O momento de votação desses temas é de suma importância. Como o Presidente do CD está fechado com a atual gestão, a extensão do mandato se deu às vésperas de uma eleição em que Mauricio Galiotte era amplamente favorito.

A oposição, com razão, chamou a manobra de casuísmo, alertando para o precedente perigoso que é a mudança das regras eleitorais às vésperas de uma eleição.

Todas essas mudanças precisaram ser referendadas pelos sócios do clube. Com panfletos e brindes, os apoiadores da atual gestão desenharam a votação como um plebiscito que oporia a “turma da modernidade”, de um lado, e Mustafá ou o Palmeiras do atraso, de outro. Envelopada nessa técnica pouco sofisticada de marketing, convocaram o sócio dizer sim a todas as decisões tomadas previamente no Conselho, onde a atual gestão tem uma maioria conquistada com muito esforço (e alguns cargos de diretoria).

Entre os pontos para os quais o sócio era convidado a votar “sim pela modernidade” estava a manutenção do número atual de conselheiros vitalícios. A pergunta submetida ao sócio, entretanto, foi desenhada de maneira confusa e pouco explicativa. Veja o item 9 da imagem abaixo, extraída de material de publicidade impresso pela “turma da modernidade.” Como se pode observar, há pouca clareza (e muita desinformação) sobre o que a proposta versava.

Apesar da campanha de desinformação, o sócio do palmeiras votou em sua maioria (1163 votos no NÃO contra 965 votos no SIM) contra os vitalícios.[3] O quórum para reverter a decisão do conselho (eram necessários 2/3 dos votantes), entretanto, não foi atingido. De qualquer forma, o sócio do clube deu um claro e inequívoco sinal de repúdio à vitaliciedade.

Ao invés de reabrir a discussão no Conselho Deliberativo, especialmente diante do voto de repúdio dos sócios, Seraphim Del grande chamou nova eleição para vitalícios no começo de 2019. A “turma da modernidade” emplacou 8 novos vitalícios para a situação. Entre eles está o filho de Del Nero.[4]

A existência de cargos vitalícios nada tem de modernidade. A vitaliciedade é uma maquina de reforçar poder. Explico!

Ao eleger um conselheiro vitalício, um suplente da mesma chapa assume a vaga daquele conselheiro que se elegeu vitalício. Quem tem a maioria de conselheiros num determinado momento, portanto, tem mais chances de eleger um conselheiro vitalício. Com isso, não apenas elege tal conselheiro vitalício, como o repõe com um suplente de chapa. Além disso, é importante lembrar que vitalícios conseguem transferir alguns votos para outros candidatos ao conselho. Dessa forma, nas eleições seguintes do conselho, levam seus votos para outro candidato do seu grupo. Um conselheiro eleito se transforma em dois (o vitalício e o seu suplente) e, com competência e trabalho, se transforma em três (o vitalício, o suplente, e aquele que receberá os votos do sócio que originalmente elegeu o vitalício).

O atual Presidente CD, portanto, pouco fez para corrigir esta distorção de representatividade que é absolutamente retrógrada. Ao contrário, limitou-se a convocar novas eleições que fortaleceram seu grupo político. Já dizem nas alamedas que em breve uma nova eleição para vitalícios será convocada, para desgraça de quem quer um Palmeiras mais democrático.

Mas qual seria a alternativa à velha política da “turma da modernidade”? A oposição conseguiu, com muito custo, criar consenso em torno de um candidato que não vem da ala mustafista ou da ala de Paulo Nobre. Sylvio Mukai, conselheiro de arquibancada e que está no seu segundo mandato concorrerá na próxima segunda contra Seraphim Del Grande.

Mukai apresentou um conjunto de propostas para valorizar o conselheiro e, por consequência, a voz das urnas e do associado. Para ele, o conselho não pode ser mera câmara de eco da Diretoria Executiva (presidência do clube). E ele está certo. O conselheiro tem entre suas responsabilidades a de fiscalizar a diretoria executiva, aprovar suas contas e, acima de tudo, representar o associado.

O problema é que isso não tem ocorrido. Seja porque o atual Presidente do CD está fechado com a atual gestão e engaveta pedidos de conselheiros opositores, ou porque muitos conselheiros compõem a atual gestão como diretores.[5]

O mini-cv de Mukai e suas propostas estão consolidados nas imagens em abaixo. Cabe perguntar, então: qual seria a proposta de Del Grande para o Palmeiras? Um pouco de transparência seria bom da parte do candidato, não é mesmo?

Mesmo que o torcedor comum ou o associado ao clube não vote, é importante sabermos como estas coisas estão se desenrolando, pois amanhã ou depois o rolo compressor das mudanças estatutárias e dos vitalícios virá para cima novamente, sempre com uma narrativa simplista que busca reduzir a oposição à turma de Mustafá Contursi.

Peço a todos que não caiam neste conto infantil. A oposição possui inúmeras pessoas comprometidas com o Palmeiras e a favor de uma ampla democratização do clube. Eu sou um deles. O Sylvio Mukai também. Se você é sócio ou conhece conselheiros do clube, converse com tais conselheiros e peça a ajuda dele para continuarmos a RENOVAR o Palmeiras.

Del Grande não é mudança e nem representa qualquer avanço. Del Grande é o engavetamento do pedido de expulsão de Del Nero de nosso conselho, como mostraram recentemente os jornais. A renovação, a independência do conselho e valorização da democracia é com Sylvio Mukai e Rita Cosentino, candidata à vice-presidente.

 

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