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Profissionalização, o destino do Palmeiras.

Bem antes da minha indicação como Diretor Adjunto de Licenciamento do Palmeiras, no Departamento de Marketing, eu já transitava pela Academia. Auxiliava como voluntário – inicialmente como consultor esporádico, eventualmente como orientador e em outras ocasiões com os muitos contatos que possuo no mercado. Minha carreira como executivo em multinacionais, por mais de 25 anos, me credencia para isso e, claro, sem nenhuma outra retribuição que não fosse o prazer pessoal de ajudar a construir (naquelas épocas a reconstruir) o patrimônio de glórias do Palmeiras.
 
Eram tempos em que o discurso de profissionalização da gestão era um mantra de grupos politicos e, sem nenhum medo de errar, sabia que muitos papagaiavam sem saber ao certo o que era realmente a tal gestão profissionalizada. Profissionalização era a palavra da moda.
 
Enfim, estava eu lá, ano de 2011, numa estrutura tecnológica dos anos 1990, com gestão e pessoal com cabeça dos anos 1960. Na época, para mim era como entrar no túnel do tempo e visitar o museu vivo da administração. Era como ver dinossauros e poder toca-los. 
Embora fosse difícil para mim ver as pessoas escreverem numa tela verde escuro, com cursor piscante, sem opção de fonte, formatação de texto e todas as facilidades que o Windows já havia trazido há mais de duas décadas, eu jamais critiquei as pessoas ou a gestão da época. 
Se eu estava lá para ajudar teria que aceitar as condições existentes, pois sabia que com o meu trabalho e com os demais voluntários a evolução viria naturalmente. Teria que ter paciência. A sonhada profissionalização viria a seu tempo.
 
Quero dar este testemunho porque muitos não sabem o que se passa e o que se passou nos bastidores da administração Palestrina. É algo para nos encher de muito orgulho. Para mim, satisfação pessoal dobrada, pois sei que pude realmente contribuir neste processo. Me sinto feliz.
 
Hoje, vemos nosso time de futebol profissional em outro patamar. Deixamos no passado as altas doses de adrenalina que se injetavam em nossa corrente sanguinea ao enfrentar qualquer time egresso da série C, ficarmos anos sem ganhar um clássico, frequentar e dar rasantes na série B, sem falar dos inúmeros vexames que deixamos vazar para a imprensa. Hoje, ao comemorar sucessos, vemos somente o que está no palco, sob as luzes e os sons da torcida vibrante.
 
Por isso acho justo contar um pouquinho do que se passa lá na coxia.
Da mesma forma que vemos o futebol evoluir, ainda que com ajustes e tropeços, o mesmo ocorre com a administração profissional do Palmeiras. 
Sair do Parque dos Dinossauros para a era digital não é simples, fácil ou rápido. Não basta comprar equipamentos novos e contratar gente jovem e sem vícios. É preciso fazer isso, mas acima de tudo há de se promover uma mudança de cultura – que vem da vontade política da alta gestão.
 
É exatamente isso que venho testemunhando ao longo destes últimos anos.
Um enorme esforço da gestão para mudar a cultura da administração e trazer o Palmeiras para o século XXI. 
Da mesma forma que no futebol, vejo novos profissionais (não necessariamente jovens), com excelente formação acadêmica, experiência comprovada e muita vontade de transformar o Palmeiras na maior força do futebol brasileiro. Vejo muito dinamismo e muita energia. gente que trabalha fora de seu horário espontaneamente e sem que ninguém peça. É a paixão pelo que se faz e pela causa – o Palmeiras.
 
Claro que, tal qual no futebol, há tropeços, erros, recomeços. Mas, inequivocamente, há uma retumbante evolução. 
Estamos no caminho certo. 
Nada está acabado e ainda há muito, muito mesmo, por ser feito.
Nem vou me atrever a listar projetos de sucesso, são muitos – desde o aumento exponencial dos Sócios Avanti, até o recente projeto da Família Palmeiras. Pois estes são os projetos visíveis a olho nu, por todos nós. 
O que quero transmitir é o que vejo nos bastidores e que me mostram a evolução do processo administrativo para o alto desempenho administrativo. Mais do que isso, a ovacionada e, ao mesmo tempo, criticada disciplina financeira aliada à gestão profissional, não só nos livrou definitivamente dos desvios e descaminhos, mas agora nos impulsionará para os mais elevados níveis de desempenho –  em todos os campos: – Esporte, resultados financeiros, crescimento e expansão internacional.  
 
Muitos pensam que colheremos os frutos em curto prazo – talvez. Há boa chance de sermos campeões este ano. Mas não é disso que eu falo.
Esta sendo preparada uma base, uma infra-estrutura, para que sejamos favoritos sempre que estivermos presentes.
É uma mudança de cultura administrativa – que agora sim, podemos chamar de profissionalização – é o caminho que nos perpetuará no sucesso.
 
Achei justo reverenciar os que fazem parte desta mudança silenciosa que se passa internamente. 
Não só os que a promovem (no caso deles também acho que isso é obrigação), mas também aqueles que acima de tudo acreditam que esse é um caminho sem volta.

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  • Gustavo Neri

    Ótimo relato do que não é visível na totalidade, mesmo por quem acompanha bastante o clube. Mas quanto ao futuro, pra ficar sensacional, acredito que a profissionalização precisa ser estatutária. Com o estatuto que existe hoje ainda temos o risco de daqui a um presidente ou dois pararmos no tempo novamente e voltamos com os dinossauros que insistem em querer comandar o clube, termos um dentista no marketing, um conselheiro incapaz cuidando do futebol, essas coisas que nos fizeram passar vergonha por anos.