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Resposta à entrevista de Mustafá Contursi

A edição de 28 de março do jornal “A Folha de São Paulo” trouxe longa entrevista com o ex-Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras (pra quem tiver estômago, aqui: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2017/03/1870306-mustafa-diz-que-cartolas-jurassicos-voltaram-porque-sucessores-falharam.shtml).

Antes de continuar, um aviso: não há que se falar nada contra a pessoa de Mustafá Contursi, um senhor já em provecta idade e que dedicou grande parte de sua vida ao Palmeiras. Estes comentários referem-se à sua atuação política, às declarações do “cartola” Mustafá, como ele mesmo se intitula na entrevista dada à Folha. Bem, entre outras pérolas, o entrevistado afirma que:

a) que todos os setores do clube (inclusive o futebol, evidentemente) devem passar por uma redução de despesas da ordem de 20% nos próximos anos.

Comentário: o corte linear de despesas é a verdadeira conta de padeiro. Não leva em consideração as especificidades dos departamentos, e as necessidades do clube. O investimento no futebol deve ser o necessário à montagem de uma grande equipe, e deve ter por base as receitas disponíveis, isto é, não há porque reduzir despesas neste ponto, desde que mantidas as receitas do clube para esta área. O objetivo do Palmeiras é ter times campeões – isso está no nosso DNA, e todos os esforços de sua diretoria devem ser voltados a isso. Aliás, o mesmo cartola que propõe isso mantinha o glorioso Palmeiras B, e parece se esquecer que entramos 2013 com 16 jogadores no elenco profissional. Quanto aos demais departamentos do clube, a solução está justamente na profissionalização de seu funcionamento, que gerará menos deseconomias e mais eficiência. “Mandar embora” gente também custa caro, e isso, certamente, deve ser ponderado. Não pode haver desperdícios, mas também não é o caso de sucatear ainda mais departamentos que já, em sua maioria, enfrentam sérios problemas para exercer suas atividades ordinárias.

b) o departamento de marketing do Palmeiras não produz nada, a não ser despesa;

Comentário: a afirmação é totalmente ridícula, sem qualquer base na realidade. Basta ver o Avanti!, e a fileira enorme de sucessos promovidos pelo Departamento, que tanta receita geram ao clube. Nosso departamento de Marketing é menor que os de nossos rivais, e produz mais receita, e só não produz mais por falta de recursos humanos para promover e gerenciar projetos – o marketing do Benfica tem mais de 30 profissionais, enquanto em nosso clube não são nem 10. Ainda assim, o crescimento do licenciamento no varejo foi de 50% entre 2015 e 2016, em meio à maior crise da história da economia brasileira – essa informação, aliás, estava no balanço apresentado ao COF e ao CD. Em sua cruzada contra a profissionalização do clube, e a melhora de seu gerenciamento, o cartola Mustafá erra feio o alvo.

c) os seus sucessores levaram o clube ao caos, e hoje há o reconhecimento de que a sua geração é mais qualificada do que a que o sucedeu;

Comentário: é preciso deixar uma coisa bem clara: foi o Estatuto aprovado pela gestão Mustafá que permitiu o nível de descontrole administrativo que levou o Palmeiras à bancarrota. Enquanto as burras estavam cheias de dinheiro, na gestão Parmalat, o clube esteve bem – afinal, a patrocinadora bancava absolutamente todo o dinheiro para o futebol, e todas as rendas associadas (TV, Federação etc.) vinham para o clube social do Palmeiras. A incompetência foi tamanha que perdemos a Parmalat e, quando ela saiu, não havia qualquer estruturação administrativa no clube que impedisse a degradação de suas contas. A fieira das subsequentes administrações incompetentes só agravou a doença, que nos levou ao estado pré-comatoso. Um grande legado mustafista… O retorno dos velhos cartolas é um sintoma da decadência dos clubes, que buscam num passado supostamente mais glorioso a solução para problemas que foram gerados justamente neste passado. No tocante ao Palmeiras, como o próprio cartola Mustafá esclarece, ele e seu grupo nunca saíram de cena: enquanto o clube estava quebrado, com receitas suficientes para honrar apenas três meses de compromissos no ano, ficaram pacientemente esperando; agora que o Palmeiras tem receitas e perspectivas reais de sucesso, voltam ao centro do palco. Foi a geração que sucedeu Mustafá que recolocou o Palmeiras nos trilhos, e não o contrário.

d) os executivos e profissionais trabalham para seus interesses pessoais, e não da “coletividade”;

Comentário: Essa ideia do cartola Mustafá ilustra bem o pensamento que existe no que ele próprio chama de “jurássicos”: todas as oportunidades de negócios do clube devem passar pelas mãos dos cartolas, porque estes sim sabem como fazer a melhor e mais proveitosa negociação com o Palmeiras. O profissional atrapalha, porque tem metas, tem fiscalização, tem obrigações. Bom mesmo é o sujeito que acha que não deve prestar contas a ninguém, que faz as coisas de sua cabeça porque, afinal, ele conhece muito o Palmeiras, e isso é inegável. Estes são a salvação da lavoura. #sqn.

e) o Conselho Deliberativo já reconheceu que Leila Pereira é sócia desde mil-novecentos-e-guaraná-com-rolha, e que quem duvida disso deve ira a uma mesa branca para ouvir os envolvidos nos fatos da época;

Comentário: fora a gratuita ofensa a quem professa o espiritismo, é isso mesmo: o CD já decidiu. Mas é preciso dizer que a pergunta levada ao colegiado não foi se a a alteração do registro de associação era ou não legal, e sim se ela deveria ou não ser impugnada. É diferente, e faz toda diferença.

f) o tempo dos cartolas “jurássicos” foi a era de ouro do futebol brasileiro, e quando os executivos entraram em cena, tudo degringolou.

Comentário: sentiu o cheirinho de mofo? Pois é. Não compreender que o mundo mudou, e o futebol mudou, é um problema muito sério. Se antigamente os clubes brasileiros retinham talentos e ganhavam títulos, hoje se ralam pra ganhar uma Libertadores. A disputa com os europeus, por sua vez, é cada vez mais injusta, e isso acontece não porque eles são mais apaixonados pelo esporte que nós, brasileiros, e sim porque… eles tem dinheiro! Se profissionalizaram, tornaram o futebol um negócio, feito por gente que tem que administrar fortunas, e levam todos os talentos e promessas que acham que devem levar aqui de Pindorama. O tempo dos jurássicos já passou, não importa o quanto eles sejam admiráveis nos museus (falos dos dinossauros). A decadência do futebol brasileiro tem vários fatores – desde a corrupção endêmica do meio até o atraso técnico, mas, certamente, não aconteceu porque alguns setores se profissionalizaram. Pelo contrário, é isso que pode nos fazer, em médio prazo, a poder ter equipes competitivas em nível mundial.

Considerações finais: o rearranjo político no Palmeiras está em pleno curso. É induvidoso que Mustafá Contursi foi alçado ao centro dos acontecimentos, e isso exige atenção redobrada que quem não quer ver o Palmeiras, novamente, no fundo do poço. Sua gestão e seu legado deixaram o clube de joelhos, e não podemos permitir que isso se repita. Ainda somos poucos, mas somos cada vez maiores, e lutaremos. Muito. Pelo Palmeiras.

Link permanente para este artigo: http://confrariapalestrina.com.br/resposta-a-entrevista-de-mustafa-contursi/

  • Rafael Scalize

    Parabéns pelo posicionamento, a Confraria tem se mostrado muito atenta às movimentações no tabuleiro da política Palestrina. Não se pode deixar recuar no grande ganho de qualidade que alguns departamentos tiveram ao se profissionalizar. Esse senhor deveria reconhecer que já passou a hora de se “aposentar” da política do Palmeiras.

  • Clayton Di Biaggi

    Peguei tanto ódio desse Mustafá que nunca desejei a morte de ninguém mas não me controlo ao falar desse ser demoníaco!

  • Ralf Olbertz

    Desesperador o crescimento do poder desse senhor!

    Sempre que penso na possibilidade de Mustafá voltar a administrar o Palmeiras, me vem a mente Eurico Miranda e Vasco da Gama..

    Espero que o MG consiga manter o Palmeiras no rumo certo, espero que ele tenha vontade e poder político pra isso!

  • Matheus Braga

    Não esquecendo que, quando presidente da Sindafebol, em 2011, Mustafá disse que “não tinha experiência para executar o projeto”. Esse projeto era o Torcida Legal, e ele embolsou 6 milhões de reais. Foi denunciado e devolveu o dinheiro (pelo que me lembro). Ninguém no Palmeiras questionou a idoneidade dele na época. Esse é o modus operandi dele. Lamentável que ainda tenha força política no clube.